A INFLUÊNCIA DA I.A. E A CRISE NO STF (XIV)
A VITÓRIA DA DEMOCRACIA: GUERRILHA DIGITAL E O DESAFIO DA ACEITAÇÃO DEMOCRÁTICA
Por Claudival Clemente
O Brasil ainda é uma jovem democracia e, como todo jovem, está na fase do aprendizado, fabricando experiência para guiar futuras decisões.
A falta de ônibus em cidades de grande porte como São Paulo, Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas demonstra que ainda não se pensou em todos os aspectos de uma eleição de grande porte.
Faltou o famoso “planejamento estratégico”, inclusive para o Tribunal Superior Eleitoral, que demorou muito para decidir sobre a prorrogação do horário de votação, até mesmo porque, com todos os recursos tecnológicos existentes, também a previsão de chuvas fortes no sul do país, com possibilidade de queda de energia e alagamentos, deveriam ter entrado no tal “planejamento estratégico”.
Sem contar a questão dos transportes para indígenas e quilombolas, que foram resolvidos somente no dia da eleição, por meio de uma reconsideração de artigos de uma Resolução do T.S.E. que cuidava desses assuntos.
Tudo isso deveria ter sido planejado com a devida antecedência. Há muito que aprender e muito que evoluir.
Por outro lado, a consolidação do resultado do segundo turno das Eleições 2026 encerra um dos pleitos mais acirrados e complexos da história recente do país.
A inédita virada matemática verificada entre o primeiro e o segundo turno trouxe à tona algo totalmente novo para os marqueteiros e coordenadores de campanhas, na dinâmica das redes sociais e na própria estabilidade das instituições democráticas.
O candidato à reeleição conseguiu amealhar 10.376.694 votos entre o primeiro e o segundo turno. No primeiro turno estava bem abaixo do oponente.
Esta extraordinária alavancagem de votos se deve a um intenso trabalho do deputado André Janones, em uma ostensiva mobilização nas plataformas de mensagens instantâneas e redes sociais.
A atuação coordenada pelo deputado mineiro, por meio do uso de canais de transmissão de grande alcance (como o “Exército do Lula”) e da distribuição de missões diárias para a militância, demonstrou o poder dos “cortes” e das respostas algorítmicas em tempo real para reverter abstenções, atrair eleitores de centro e engajar comunidades virtuais.
Também é preciso maturidade democrática para aceitar o resultado das urnas, pois o questionamento do resultado das urnas e os discursos de não reconhecimento da apuração lançam luz sobre um dilema republicano recorrente.
A preservação do Estado Democrático de Direito exige que as regras do jogo e a soberania do voto popular sejam respeitadas por todas as forças políticas.
Contestações sem respaldo em provas documentais ou relatórios de auditoria minam a confiança do cidadão nas instituições e prolongam desnecessariamente a polêmica existente entre os eleitores que se encontram divididos entre um candidato e outro.
A imprensa livre cumpre o papel essencial de distinguir os fatos das narrativas inflamadas, cujo objetivo é “lacrar” nas redes sociais; lembrando ao eleitor que o processo eleitoral não se encerra no espetáculo das redes sociais e sim com a proclamação dos resultados pela Corte Eleitoral.
Em última análise, a democracia não consiste apenas no direito de votar e ser votado, mas no compromisso ético e constitucional de aceitar o veredito das urnas, permitindo que a nação retome a estabilidade e a normalidade institucional.
JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP).