24 de janeiro de 2026

Onça ataca e mata nove carneiros em escola técnica na zona rural de Adamantina

Onça ataca e mata nove carneiros em escola técnica na zona rural de Adamantina
Animais integravam rebanho didático da Escola e foram encontrados dilacerados.

Nove carneiros utilizados em atividades pedagógicas da Escola Técnica Engenheiro Herval Bellusci, em Adamantina, foram encontrados mortos na manhã desta sexta-feira (23), após ataque atribuído a uma onça. Os animais apresentavam sinais de dilaceração, compatíveis com a ação de um animal silvestre. Assista (as imagens foram desfocadas).

A unidade de ensino está localizada na zona rural do município, na região do bairro Boa Vista. De acordo com representantes da Escola – apurou o Siga Mais -, o ataque ocorreu durante a noite e foi percebido pelo caseiro da propriedade, que ouviu barulhos vindos do local onde o rebanho é mantido. Ao verificar a situação, ele se deparou com a presença do animal silvestre na área dos carneiros.

Ainda conforme a Escola, há protocolos de manejo e proteção do rebanho, incluindo o recolhimento noturno dos animais, além de barreiras físicas. Mesmo com essas medidas preventivas, a onça conseguiu acessar o espaço e atacar os carneiros.

O rebanho é utilizado em atividades práticas de ensino, integrando a formação técnica oferecida pela instituição. A Escola também conta com equipes de vigilância, tanto para a proteção patrimonial quanto para garantir a segurança de funcionários e estudantes que frequentam o local diariamente.

O episódio gerou preocupação entre a comunidade escolar e também na vizinhança, formada por moradores e proprietários rurais. A situação acendeu um alerta sobre a necessidade de alternativas que ampliem a segurança no entorno, especialmente diante da proximidade entre áreas rurais, fragmentos de mata e zonas habitadas.

Entre as possibilidades sinalizadas está a adoção de medidas legais para a captura do animal, seguindo rigorosamente os protocolos ambientais, com posterior reintegração da onça a uma área de vegetação nativa mais afastada de regiões habitadas. Qualquer ação, conforme ressaltado por representantes da Escola, deverá respeitar a legislação ambiental vigente e os órgãos competentes.

Em linha reta, a sede da Escola Técnica Engenheiro Herval Bellusci está a cerca de três quilômetros das primeiras moradias urbanas de Adamantina, como os residenciais Belagio, Millenium, Jardim Europa — nas proximidades do cemitério municipal —, além do Residencial San Miguel 1 e do Conjunto Mário Covas.

O que diz a legislação brasileira sobre manejo de animais silvestres

A legislação ambiental brasileira estabelece critérios rígidos para o manejo de animais silvestres, especialmente em situações de risco, como ataques a rebanhos ou proximidade com áreas habitadas.

De forma geral, é proibida qualquer ação direta por particulares, como captura, ferimento ou morte do animal, mesmo em casos de prejuízo material. A fauna silvestre é considerada bem de uso comum do povo, conforme a Constituição Federal.

Principais normas e diretrizes

  • Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998): proíbe matar, perseguir, caçar, capturar ou utilizar animais silvestres sem autorização dos órgãos competentes, prevendo sanções penais e administrativas.
  • Lei nº 5.197/1967 (Lei de Proteção à Fauna): reforça que os animais silvestres pertencem ao Estado, sendo vedada sua eliminação, salvo em casos excepcionais e autorizados.
  • Atuação dos órgãos ambientais: situações envolvendo risco à segurança de pessoas ou prejuízos recorrentes devem ser comunicadas aos órgãos ambientais competentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além da Polícia Ambiental.

Quando o manejo é permitido

A legislação admite medidas excepcionais, desde que:

  • Haja risco comprovado à vida humana ou impactos significativos e recorrentes;
  • O manejo seja realizado exclusivamente por equipes técnicas autorizadas;
  • A prioridade seja a captura e remoção do animal, com posterior soltura em área de habitat adequada e distante de zonas urbanas ou produtivas;
  • Todas as ações sejam formalmente registradas e acompanhadas por órgãos ambientais.

Responsabilidade e prevenção

Especialistas e a própria legislação reforçam que a melhor estratégia é a prevenção, com:

  • Reforço de cercas e estruturas adequadas;
  • Manejo correto de rebanhos, especialmente no período noturno;
  • Monitoramento e vigilância em áreas próximas a fragmentos de mata.

Em casos como o registrado na zona rural de Adamantina, qualquer decisão sobre captura ou remoção do animal deve seguir rigorosamente os procedimentos legais, garantindo a segurança das pessoas, a proteção do patrimônio e a preservação da fauna silvestre.

 

 

Fonte: Siga Mais

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