Greve de professores da rede estadual atinge escolas da região de Adamantina
Professores reivindicam melhorias salariais e das condições de trabalho nas escolas estaduais.
Professores da rede estadual de ensino de São Paulo iniciaram, nesta sexta-feira (25), uma greve em defesa da educação pública e contra medidas adotadas pelo governador Tarcísio de Freitas. A categoria reivindica melhores condições de trabalho e valorização profissional.
A paralisação foi organizada pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e aprovada em assembleia. Em Adamantina, há adesão de docentes da Escola Estadual Helen Keller. Já em Flórida Paulista, professores da Escola Estadual Dr. Pércio Gomes Gonzáles também participam do movimento. Apesar disso, a mobilização não é considerada maciça nas unidades.
Entre os principais pontos da pauta divulgada pela Apeoesp estão: reajuste imediato de 6,27% referente ao piso nacional no salário-base; elaboração de um plano para recomposição do poder de compra dos vencimentos; críticas ao que a entidade classifica como autoritarismo, plataformização do ensino e assédio moral; convocação de 44 mil professores concursados; melhorias estruturais, como climatização das salas; critérios mais justos e transparentes na atribuição de aulas; além de posicionamento contrário à privatização e à militarização das escolas.
Na noite de quinta-feira (24), a Apeoesp informou que o governo estadual apresentou proposta de reajuste de 5%, com envio de projeto à Assembleia Legislativa até o fim de abril. Para o sindicato, porém, o índice é insuficiente. Em nota, a entidade afirmou que defende um plano efetivo de recomposição salarial, com cumprimento das metas 17 do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Plano Estadual de Educação (PEE), além da aplicação correta da Lei do Piso Salarial Profissional Nacional. O sindicato também reivindica o pagamento do índice de 10,15%, que, segundo a entidade, segue congelado em discussão no Supremo Tribunal Federal.

Uma assembleia às 16h desta sexta-feira em frente ao MASP na capital paulista vai decidir o futuro do movimento.
Governo de SP obtém liminar que garante 70% dos professores em sala de aula nesta sexta
A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) obteve liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) nesta quinta-feira para garantir que ao menos 70% dos professores estejam em sala de aula nesta sexta, sob pena de multa diária de R$ 20 mil.
O Estado de São Paulo ingressou na Justiça contra o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) para tentar impedir a greve dos professores da rede pública estadual, que ocorre hoje. “Observou-se que a paralisação pode prejudicar milhares de alunos, que teriam seu ano letivo impactado, com consequências para suas vidas acadêmica e profissional. Além disso, a greve pode impactar de forma especial alunos em situação de vulnerabilidade, que ficariam sem merenda escolar, bem como os pais que trabalham e não teriam onde deixar seus filhos com segurança”, divulgou o serviço estadual de notícias Agência SP. “Com tais argumentos, o governo paulista alegou que a paralisação interromperia um serviço público essencial, de modo que sua extensão precisaria ser delimitada, a fim de mitigar impactos à população”, prossegue o texto.
Conforme o canal público, o Tribunal reconheceu que, embora o direito de greve seja constitucionalmente garantido, ele não é absoluto. O juiz ponderou ainda que o exercício do direito de greve deve ser responsável, de modo a não prejudicar os direitos fundamentais de terceiros, como alunos e servidores que não aderirem ao movimento.
Foi marcada uma audiência de conciliação para o dia 5 de maio de 2025.
Por Rita Nery, com informações do Siga Mais