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coleta seletiva: realidade da Cooperadam expõe risco à saúde, perda de renda e pede ação urgente

Lixo, risco e abandono: realidade na Cooperadam acende alerta urgente para o poder público e a sociedade

O que era para ser uma reportagem de conscientização se transformou em um verdadeiro alerta social.

O Jornal do Meio-Dia esteve na Cooperadam e revelou uma realidade que vai muito além do descarte incorreto de lixo — expõe um problema ambiental, humano e estrutural que precisa de atenção imediata.

Logo na chegada, a jornalista Lucia Prado se deparou com uma cena alarmante: uma montanha de resíduos com mais de quatro metros de altura e uma esteira tomada por lixo misturado — orgânico, hospitalar e até sanitário.

Diante do cenário, a jornalista decidiu ir além da observação. De luvas e máscara, entrou na esteira ao lado dos cooperados e vivenciou na prática o que eles enfrentam diariamente. Ao abrir as sacolas, encontrou fraldas, restos de comida, lixo de banheiro e materiais contaminados misturados aos recicláveis, em um ambiente de odor forte e insalubre.

Durante a visita, também foi mostrado o processo de triagem e prensagem de materiais como papelão, vidro e plástico — etapas fundamentais para a geração de renda dos cooperados.

Mas o maior alerta veio da fala da gestora da cooperativa, engenheira ambiental responsável pelo local: o volume de material reciclável que chega ainda é baixo, e grande parte vem suja, contaminada e acaba sendo perdida.

Essa realidade se repete com frequência e gera um impacto direto na sustentabilidade da cooperativa. O prejuízo compromete a renda e obriga a dependência de apoio da prefeitura para manter a folha de pagamento dos colaboradores.

Embora o poder público auxilie na manutenção, o cenário exige mais do que apoio pontual. As famílias que atuam na cooperativa chegaram por meio da assistência social e enfrentam diariamente condições de trabalho extremamente difíceis. Sem um olhar mais humanizado e soluções estruturais, existe o risco real de evasão de trabalhadores — o que pode levar até à paralisação das atividades.

Em um momento em que diversos setores enfrentam dificuldade para encontrar mão de obra, a situação se agrava ainda mais quando se trata de um ambiente tão desafiador como o da triagem de resíduos.

Outro ponto que chama atenção é a discrepância regional: cidades menores, como Ouro Verde, apresentam maior volume de arrecadação de materiais recicláveis do que Adamantina, o que levanta questionamentos sobre a eficiência das campanhas de conscientização e o engajamento da população.
Diante disso, especialistas e envolvidos defendem a necessidade urgente de ações mais efetivas por parte do poder público — não apenas como apoiador, mas como responsável por estruturar, fiscalizar e garantir condições dignas de trabalho.

Mais do que um problema ambiental, a situação da Cooperadam é uma questão social e de geração de renda. Envolve dignidade, saúde e qualidade de vida de famílias inteiras.

Adamantina é reconhecida como uma cidade acolhedora e solidária. Mas a realidade exposta pela reportagem levanta um questionamento necessário: será que a população está realmente consciente do seu papel quando o assunto é coleta seletiva?

Algo precisa ser feito — e com urgência. Antes que os trabalhadores adoeçam, antes que a cooperativa interrompa suas atividades e antes que um problema que já é grave se torne ainda maior para toda a cidade.

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