A Life FM manifesta profundo pesar pela partida da mestre Sara Rocha. Sua ausência deixa um vazio imenso, mas sua história permanece como um símbolo de resistência, cultura e transformação.
Adamantina amanheceu mais silenciosa nesta sexta-feira (17). Partiu, em Ribeirão Preto, onde realizava tratamento de saúde, a mestre de capoeira Sara Rocha — um nome que se confunde com a própria história da capoeira no município.
Referência desde o início da década de 1990, Sara não foi apenas uma praticante: foi formadora de gerações, líder, educadora e símbolo vivo da resistência cultural. À frente do Grupo de Capoeira Estrela da Barra, construiu uma trajetória marcada por dedicação incansável, amor pela arte e defesa firme das raízes afro-brasileiras.
Ao longo de mais de 30 anos, sua presença ecoou em rodas de capoeira, praças, projetos sociais e espaços públicos. Com coragem e propósito, ela levou a capoeira além do movimento — transformou-a em ferramenta de educação, inclusão e identidade. Foram centenas de alunos, incontáveis histórias e vidas impactadas por sua energia e seus ensinamentos.
Sara era, acima de tudo, uma mulher guerreira. Sinônimo de resistência, enfrentou preconceitos dentro e fora da capoeira, sempre com dignidade, força e um sorriso acolhedor. Sua trajetória pessoal e profissional inspira — e continuará inspirando — todos que tiveram o privilégio de cruzar seu caminho.
Apaixonada pelas crianças, encontrava nelas a esperança de continuidade. Ensinava mais do que golpes e gingado: ensinava respeito, disciplina e amor. Era, de fato, um ser humano raro — daqueles que deixam marcas profundas e eternas.
Mesmo nos últimos anos, não desacelerou. Em novembro passado, durante as celebrações do Dia da Consciência Negra, inaugurou um novo espaço de aulas na Vila Industrial, reafirmando seu compromisso com a cultura e com a comunidade. Seu trabalho também foi reconhecido oficialmente, com homenagens na Câmara Municipal de Adamantina e, em 2019, em Curitiba, durante o evento Open Brasil Guerreiros dos Palmares.
Seu legado segue vivo através da filha, Suelen, também professora de capoeira, que carrega consigo a missão de dar continuidade a essa história construída com tanto amor e dedicação.
O velório será realizado no Memorial Flor de Lótus, com início previsto para a tarde desta sexta-feira. O horário ainda será confirmado pelos familiares.
Aos familiares, amigos e alunos, ficam nossos mais sinceros sentimentos.
Hoje, Adamantina não apenas se despede…
Ela agradece.
